|
|
O sistema de indicadores do Rio Como Vamos mostra que, em de 2009, os três indicadores de educação do Ensino Médio na Zona Portuária mostraram índices alarmantes.
Um deles é a distorção idade-série no Ensino Médio (mais de 2 anos de atraso), com 84%, o que equivale a 870 alunos. O índice de abandono é de 28%, ou seja, 300 alunos desistiram de estudar. E, por último, o índice de reprovação registrou 18%, cerca de 190 alunos.
Os bairros da Gamboa, Saúde e Santo Cristo são atendidos por apenas dois colégios de Ensino Médio e, pior, só funcionam no período da noite, pois, nos turnos diurnos funcionam como Escolas Municipais: a Escola Municipal Licínio Cardoso, na Praça Mauá, e Escola Municipal Benjamin Constant, em Santo Cristo. Além de tudo, elas fornecem poucas vagas para uma área com 33,6 habitantes.
Para Samuel Ferreira, 19 anos, estudante do 3º ano no Colégio Estadual Benjamin Constant, a falta de professores é o que mais prejudica os alunos do Colégio. Segundo ele, no início do ano, a sua turma ficou 15 dias sem professor de biologia, o que deve ter comprometido o seu rendimento no ENEM.
Um outro exemplo é o de Maria Claudia, 24 anos, ex-estudante do Colégio Licínio Cardoso, que abandonou os estudos por estar grávida de 4 meses e sentia vergonha, por achar que seus colegas poderiam rir de sua situação. Segundo ela, pretende voltar no próximo ano.
Sem o Ensino Médio, nossos jovens acabam perdendo as diversas oportunidades que surgem, a todo momento, com a pacificação do Morro da Providência Oportunidades como: Empregos, cursos técnicos, cursos profissionalizantes (que exijam o Ensino médio completo) e até bolsas em faculdades (Bolsa Carioca).
Nossas esperanças estão na revitalização da Zona Portuária, com a torcida para que seja construído pelo menos um Colégio Estadual que funcione nos três turnos (manhã, tarde e noite) e, assim, ampliar o número de vagas para que os nossos jovens possam ter um futuro melhor.
Em pleno século XXI, o percentual de gestantes que tiveram pré-natal insuficiente em 2009 na Zona Portuária, que inclui a comunidade da Providência, foi de quase 40%, um dos maiores da cidade. A situação da nossa região e de outras RAs pode ser consultada no Sistema de Indicadores do Rio Como Vamos.
O número ideal de consultas pré-natal é sete, como recomenda o Ministério da Saúde. Abaixo desse número, considera-se insuficiente. O pré-natal insuficiente é o responsável, muitas vezes, pela incidência de mortalidade infantil.
As gestantes da Zona Portuária contam com três unidades de saúde para fazerem o pré-natal: o Posto de Saúde José Messias do Carmo, a Maternidade da Praça XV e o Hospital dos Servidores do Estado. Mas na Maternidade da Praça XV o pré-natal só é oferecido para adolescentes até 17 anos e para gestantes com gravidez de risco. No Hospital dos Servidores, só para quem tem gravidez de riscos. Assim só resta o posto de saúde para as gestantes que não se enquadram nessas condições citadas acima.
O posto só tem dois ginecologistas, que trabalham três dias da semana se revezando e muitas vezes em um só turno. Para fazer o pré-natal, é preciso fazer o exame de gravidez no próprio posto de saúde e no mesmo dia é marcada a primeira consulta para um mês depois. A segunda consulta é marcada geralmente para três meses depois. As gestantes têm que esperar um mês para fazer exames laboratoriais (sangue, urina, etc.) e um mês para receber os resultados dos exames. Assim, elas acabam tendo em média de quatro a cinco consultas de pré-natal. Estive no posto para conversar com funcionários, mas os que estavam lá disseram que não poderiam fazer declarações.
Juliana Souza, de 14 anos, faz o pré-natal no Posto de Saúde José Messias do Carmo. Ela está no quarto mês de gestação e até agora só teve uma consulta de pré-natal, a segunda está marcada para dia 13 de dezembro, quando já estará com seis meses. Sua mãe, Ana Paula Souza, está preocupada com o desenvolvimento do seu neto e a saúde de sua filha e por isso está procurando outra unidade para que ela possa ter um pré-natal adequado. Assim como Juliana, a maioria das gestantes da comunidade da Providência prefere fazer seu pré-natal em outras localidades.
Há mais ou menos um ano e seis meses atrás podíamos contar também com o pré-natal na Maternidade Pró-Matre, mas o atendimento público foi fechado e agora a maternidade só atende particular. Quando a Pró-Matre parou com o atendimento público, foi uma decepção para todos os moradores da região, porque era oferecido ali um pré-natal adequado, tanto que vinham muitas gestantes de outras localidades.
A dengue é um problema sério em toda a cidade e aqui na nossa comunidade não é diferente. Só este ano, até setembro, a Zona Portuária, onde a Providência se localiza, já teve 550 casos da doença, como mostra levantamento do Rio Como Vamos. Vários fatores podem contribuir para esses números.
A última vez que um agente de endemias veio à Providência foi no ano passado, em um sábado. Foi um mutirão onde colocaram larvicidas em possíveis criadouros, visitaram as casas, ensinaram os moradores a prevenir a dengue e distribuíram telas para as caixas d’água. Este ano, no dia 24 de maio, vieram alguns agentes de saúde só para colocar nas residências as fichas de retorno. Mas quando perguntei se iriam colocar larvicida, fui informada que em breve outro agente de saúde viria para fazer toda a prevenção, o que ainda não aconteceu.
Na semana passada estive na sede da Região Administrativa e lá constatei que são 22 agentes de saúde para atender a toda a Zona Portuária, que tem 33,6 mil habitantes. Essa pode ser uma das razões do aumento de casos da dengue, já que essas pessoas também fazem o serviço de prevenção. Segundo o agente Jonas, da unidade José Bonifácio, os agentes na Zona Portuária estão divididos em três grupos: um com seis agentes para atender os bairros da Saúde e Gamboa, incluindo as comunidades; outro com mais seis, para o Santo Cristo; e o terceiro com 10, para cobrir a área do Porto e o Caju com suas comunidades.
Mas essa não é a única razão do grande número de casos de dengue por aqui. Os moradores também têm sua parcela de culpa, pois muitos não estão nem ai para a prevenção e deixam suas caixas d’água abertas, armazenam água em baldes e galões sem tampas, não colocam areia nos pratos dos vasos de plantas e jogam lixo nas ruas e terrenos da comunidade. A grande verdade e que os moradores só se preocupam com a dengue quando alguém de sua família pega a doença.
Dona Nilza Veridiana, de 53 anos, é um exemplo de quem se preocupa com a prevenção. Ela já pegou dengue duas vezes, em 2002 e 2007. Sua irmã e sua sobrinha (que tem necessidades especiais) também já pegaram a doença. Na casa dela, todos se preocupam em não deixar baldes e garrafas com água destampadas e também em retirar do quintal objetos que possam acumular água e servir de criadouro do mosquito da dengue.
Mas Nilza lamenta que muitos vizinhos não tenham o mesmo cuidado. Com um deles ela já discutiu por diversas vezes, porque a caixa d’água dele está com a tampa quebrada. Nilza também reclama da falta de interesse da Prefeitura com a comunidade, pois esse ano sua residência não foi visitada nenhuma vez por um agente de saúde.
Especialistas estão a toda hora alertando que o tipo 1 da dengue voltará com tudo em 2012, será uma grande epidemia. Temos que começar a prevenção de agora, para que ano que vem a doença não venha com tanta força.
A Prefeitura tem que agir antes de acontecer e os moradores precisam colaborar.
Lembre-se de no seu dia dar 10 minutos contra a dengue. Precisamos todos nos conscientizar!
|
|